Maria Augusta's profile"Eu não sou eu nem sou o...PhotosBlogLists Tools Help

Blog


    Inconstância dos Bens do Mundo - Gregório Matos

     
     

    INCONSTÂNCIA DOS BENS DO MUNDO

    (Gregório de Matos)

    Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
    Depois da Luz se segue a noite escura,
    Em tristes sombras morre a formosura,
    Em contínuas tristezas a alegria.

    Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
    Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
    Como a beleza assim se transfigura?
    Como o gosto da pena assim se fia?

    Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
    Na formosura não se dê constância,
    E na alegria sinta-se tristeza.

    Começa o mundo enfim pela ignorância,
    E tem qualquer dos bens por natureza
    A firmeza somente na inconstância.

     

     

    Bom pessoal é isso ai.... hj temos comemoraçoes pra fazer.... faz 1 ano que o meu space existe... e eu fiz aniversario...

    to meio sem tempo de produzir alguma coisa util pra postar aqui... então, vo colocar um outro poema , que eu vi no orkut de um amigo .. achei interessante e digno de aqui ser posto...

    vlw pessoal...

    beijos e abraços.....       

    Carlos Drummond de Andrade, poemas

     

     

    As Sem-Razões do Amor 

    ( C. Dummond de Andrade)

     

    Eu te amo porque te amo.
    Não precisas ser amante,
    e nem sempre sabes sê-lo.
    Eu te amo porque te amo.
    Amor é estado de graça
    e com amor não se paga.

    Amor é dado de graça,
    é semeado no vento,
    na cachoeira, no eclipse.
    Amor foge a dicionários
    e a regulamentos vários.

    Eu te amo porque não amo
    bastante ou demais a mim.
    Porque amor não se troca,
    não se conjuga nem se ama.
    Porque amor é amor a nada,
    feliz e forte em si mesmo.

    Amor é primo da morte,
    e da morte vencedor,
    por mais que o matem (e matam)
    a cada instante de amor.


    Ausência

    (C. Drummond de Andrade)

    Por muito tempo achei que a ausência é falta.
    E lastimava, ignorante, a falta.
    Hoje não a lastimo.
    Não há falta na ausência.
    A ausência é um estar em mim.
    E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
    que rio e danço e invento exclamações alegres,
    porque a ausência, essa ausência assimilada,
    ninguém a rouba mais de mim.